Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganharam uma facilidade extra para as eleições deste ano. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, em 22 de setembro, que o comparecimento às urnas em outubro poderá ser usado pelo INSS como uma das formas de comprovar que o beneficiário está vivo — a chamada prova de vida.

Como funciona

O INSS tem acesso aos sistemas informatizados da Justiça Eleitoral e poderá consultar o registro de quem votou. Segundo o Ministério da Previdência Social, essa informação passa a integrar automaticamente o processo de verificação de vida dos beneficiários, sem que seja preciso nenhum passo extra por parte de quem compareceu à seção eleitoral.

Na prática, isso significa que muitos aposentados e pensionistas poderão riscar da lista de tarefas de 2026 uma ida à agência bancária ou a uma unidade do INSS exclusivamente para esse fim.

A base legal e o histórico

A possibilidade de usar o comparecimento eleitoral para a prova de vida não é nova: está prevista na Portaria PRES/INSS nº 1.408, de fevereiro de 2022, que passou a aceitar diferentes movimentações em bases de dados públicas e privadas — como emissão de documentos e atendimentos em serviços públicos — como evidência de que o segurado está vivo. O acesso do INSS aos dados da Justiça Eleitoral, por sua vez, segue a Resolução TSE nº 23.656/2021.

O cruzamento entre os dados eleitorais e a Previdência já havia sido usado nas eleições de 2024. Naquela ocasião, cerca de 21 milhões de beneficiários que compareceram às urnas tiveram o dado aproveitado, resultando em aproximadamente 5 milhões de provas de vida atualizadas automaticamente — sem fila e sem deslocamento.

Quem não vota não é penalizado

O TSE e o INSS fazem questão de reforçar um ponto: quem não comparecer à votação em outubro não terá o benefício bloqueado por esse motivo. A eleição é apenas mais uma fonte de dados entre várias.

Para quem não vota — por justificativa, ausência ou qualquer outro motivo —, o INSS continua recorrendo ao sistema SIRIS, que cruza diferentes bases do governo em busca de outros indícios de que o beneficiário está vivo, como movimentações bancárias, atendimentos de saúde ou emissão de documentos. Só quando nenhuma dessas fontes confirma a situação do segurado é que ele é formalmente convocado a comparecer para regularizar a prova de vida.

E agora?

As eleições gerais de 2026 estão marcadas para outubro, com possível segundo turno. Segundo o TSE, o sistema de identificação biométrica dos eleitores estará disponível em todas as seções eleitorais do país, o que deve facilitar o registro do comparecimento a ser repassado ao INSS. Não há, até o momento, prazo divulgado para quando esses dados começam a valer automaticamente para quem votar — mas o histórico de 2024 indica que o processamento costuma ocorrer nos meses seguintes ao pleito.

Por que isso importa pra você

Se você tem um familiar aposentado ou pensionista pelo INSS, essa é uma boa notícia prática: o simples ato de votar pode evitar uma ida a mais ao banco ou ao INSS só para "provar" que está vivo — um procedimento que historicamente gera filas e dor de cabeça, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Vale lembrar aos beneficiários da família que, mesmo assim, é importante ficar atento a eventuais notificações do INSS, já que o cruzamento de dados não é instantâneo nem substitui de forma automática e imediata os demais mecanismos de prova de vida.

Com informações de: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Agência Senado.