A possibilidade de o Senado abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou um dos temas mais citados entre os candidatos à Casa nas eleições de 2026. Diferentes levantamentos independentes, feitos por veículos de imprensa e por iniciativas de monitoramento político, têm mapeado a posição pública de centenas de candidatos sobre o assunto — com resultados que apontam uma maioria favorável entre quem já se manifestou.
Por que o tema ganhou força agora
A Constituição dá ao Senado a competência exclusiva para processar e julgar ministros do STF por crime de responsabilidade, mas o mecanismo nunca foi usado com sucesso contra nenhum integrante da Corte. Atualmente, há 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF em tramitação no Congresso, dos quais 67 têm como alvo o ministro Alexandre de Moraes. A revelação de mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, intensificou a pressão para que o Senado avance com alguma dessas petições.
O que mostram os levantamentos
Um levantamento da Gazeta do Povo, com metodologia detalhada publicamente, mapeou 222 candidatos ao Senado filiados a partidos com representação no Congresso: 98 se declararam favoráveis ao impeachment de ministros do STF, 18 se posicionaram contra, e o restante ficou em categorias intermediárias — defesa de uma reforma do Judiciário sem citar impeachment, neutralidade declarada, ou ausência de manifestação pública.
Outra iniciativa, batizada de Placar STF, criada por um candidato a deputado estadual autor de um livro sobre o tema, mapeou 312 candidatos: 84 favoráveis, 23 contrários e a maioria — 203 — sem manifestação identificada. Segundo essa plataforma, Moraes concentra o maior número de posições registradas, com 66 candidatos a favor do impeachment dele e 16 contra.
Já a organização Ranking dos Políticos mapeou 273 candidatos ao Senado sobre o mesmo tema, cruzando um levantamento da Gazeta do Povo (215 nomes em 27 estados) com uma apuração própria do analista político Danylo Shimano (185 nomes em 17 estados). Segundo o Ranking, quase metade dos candidatos mapeados declarou apoio ao afastamento de ministros do STF, mais de quatro em cada dez evitaram se posicionar publicamente, e uma parcela não foi localizada — o levantamento também identificou casos em que a posição atribuída a um candidato por uma fonte não coincidiu com o que o próprio político afirmou depois. Piauí teve a maior chapa do país (20 candidatos) e também o maior silêncio sobre o tema: apenas 4 se declararam a favor do impeachment. Sergipe foi o extremo oposto — dos 10 candidatos, 9 já declararam apoio ao afastamento.
Por que os números variam entre si
Vale um alerta de leitura: cada um desses três levantamentos usa metodologia própria, mapeia um número diferente de candidatos e atualiza os dados em ritmos distintos, à medida que mais políticos se manifestam publicamente sobre o tema. Por isso, os números de cada iniciativa não são diretamente comparáveis entre si — mas todos apontam na mesma direção geral: entre os candidatos que já se posicionaram, a defesa do impeachment é majoritária, embora uma fatia considerável do total ainda não tenha fixado posição pública.
E agora?
As eleições de 2026 vão renovar até dois terços das 81 cadeiras do Senado — 54 vagas estão em disputa. Para que um processo de impeachment contra um ministro do STF avance até o julgamento final, são necessários os votos de dois terços dos senadores, ou seja, 54 dos 81. A composição que sair das urnas em outubro vai definir se esse patamar de votos fica mais perto ou mais distante de ser alcançado nos próximos anos.
Por que isso importa pra você
Ao votar para o Senado, o eleitor não está escolhendo apenas quem vai representar seu estado em Brasília — está também ajudando a definir se a Casa terá, ou não, força política para abrir e julgar processos contra ministros do STF nos próximos quatro anos. Conhecer a posição de cada candidato sobre esse tema específico é uma forma concreta de comparar propostas, além dos discursos mais genéricos sobre "mudar o Supremo".
Com informações de: Gazeta do Povo, Placar STF e Ranking dos Políticos.
