Quase 2 milhões de brasileiros vão trabalhar nas seções eleitorais no primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro. Um levantamento feito com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultados em 24 de setembro, aponta 1.969.060 mesárias e mesários convocados em todo o país — número que deve se repetir, com eventuais ajustes, no segundo turno, previsto para 25 de outubro.
Um contingente maior que nas últimas eleições
O total de 2026 é o maior desde 2018. Naquele ano foram 1.896.887 convocados; em 2022, 1.889.277; e nas eleições municipais de 2024, 1.890.826. O TSE ainda não divulgou um número nacional consolidado e definitivo — as nomeações continuam sendo publicadas pelos cartórios eleitorais —, mas o levantamento mais recente já indica um crescimento de quase 80 mil pessoas em relação ao pleito de 2022.
O que faz um mesário
Cada seção eleitoral tem uma Mesa Receptora de Votos formada por quatro integrantes: presidente, 1º mesário, 2º mesário e secretário. Entre as atribuições estão localizar o nome do eleitor no caderno de votação, colher a assinatura, autorizar o voto ou registrar a justificativa de ausência e entregar o comprovante de votação ao final. A atuação costuma ser voluntária, mas a Justiça Eleitoral também convoca compulsoriamente quem não se candidatou, levando em conta critérios como escolaridade e atuação profissional — professores e servidores administrativos da Justiça estão entre os mais chamados.
Quem não pode — e quem pode recusar
Não podem atuar como mesário candidatos e seus parentes até o segundo grau (inclusive cônjuge ou companheiro), dirigentes com função executiva em partido ou federação, autoridades públicas, agentes policiais e ocupantes de cargos de confiança no Poder Executivo. Fora dessas restrições, a convocação não é um convite: quem é nomeado precisa comparecer, a menos que apresente uma justificativa aceita pelo juiz eleitoral. Na prática, a Agência Senado ouviu um consultor legislativo que resumiu a regra — a recusa é possível "por motivo justo", mas cabe ao juiz decidir, e a convocação é compulsória no limite.
E agora?
Quem foi convocado tem até 3 de outubro para concluir o treinamento obrigatório, feito pelo aplicativo Mesário ou pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem do TSE. A pessoa nomeada deve consultar no Autoatendimento Eleitoral qual modalidade — presencial ou virtual — foi indicada pelo seu cartório. Já quem quer se voluntariar ainda pode se cadastrar pelo aplicativo e-Título, pelo site do TRE da sua região ou pessoalmente em um cartório eleitoral, embora a prioridade para o quadro de 2026 já tenha sido definida.
Por que isso importa pra você
Se você foi convocado, o trabalho como mesário dá direito a benefícios concretos: auxílio-alimentação de R$ 60 por turno e dias de folga no trabalho, sem perda de remuneração — dois dias por turno em que atuar, mais dois dias pela realização do treinamento, totalizando até seis dias de folga para quem cumprir os dois turnos. Essas folgas não têm prazo de validade, desde que a pessoa continue no mesmo emprego da época da convocação, e a comprovação é feita pela Declaração de Trabalhos Eleitorais, emitida após cada turno. Vale a pena verificar sua situação no e-Título: descobrir a convocação em cima da hora pode significar perder o prazo de treinamento e, com ele, o direito às folgas.
Com informações de: Agência Senado e Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
