O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, consultou a ministra Cármen Lúcia sobre a possibilidade de ela assumir a condução das apurações envolvendo ministros da própria Corte citados no caso Banco Master. Segundo reportagem publicada pelo UOL e repercutida por outros veículos, Cármen Lúcia recusou o convite.
Por que isso surgiu
O pano de fundo é a crise aberta no STF depois que a Polícia Federal (PF), na Operação Compliance Zero, encontrou no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — preso desde o fim de 2025 — mensagens que citam ao menos cinco dos dez ministros da Corte, em diferentes níveis de gravidade, segundo o UOL. Dias Toffoli foi o primeiro ministro a ter o nome publicamente associado a Vorcaro nessas apurações.
Já o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, aparece em conversas combinando um encontro com Vorcaro para atuar na defesa do banqueiro.
Uma sessão que terminou sem decisão
O episódio da sondagem a Cármen Lúcia acontece poucos dias depois de uma sessão extraordinária do STF, em 15 de setembro, convocada para decidir se seria aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A reunião terminou sem definição, depois que o ministro Flávio Dino pediu vista do processo. Na ocasião, Fachin votou para manter os casos separados — ou seja, não reunir a análise sobre Moraes com a de outros ministros —, acompanhado pelos ministros André Mendonça, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
Os lados
Procurados pela imprensa por meio da assessoria do STF, tanto Fachin quanto Cármen Lúcia não se manifestaram sobre a sondagem e a recusa, segundo apurado pelos veículos que noticiaram o caso. Vale lembrar que, na sessão de 15 de setembro, Cármen Lúcia já havia feito uma autocrítica rara em público: disse ao Metrópoles que "nós mesmos do Supremo inebriamos o sentimento de justiça do país nos últimos dias" e completou: "peço desculpas ao povo brasileiro que talvez tenha esperado de mim uma posição diferente. Queria poder ter sido melhor em ajudar a acalmar as coisas e não consegui". Mesmo assim, dias depois, optou por não assumir a relatoria das apurações sobre os colegas.
E agora?
Segundo a reportagem, Fachin ainda não definiu como pretende conduzir os diferentes pedidos de investigação e as menções a ministros do STF relacionados ao caso Banco Master. A discussão sobre os colegas de Corte segue em paralelo à análise, ainda pendente, do pedido de investigação contra Alexandre de Moraes.
Por que isso importa pra você
O STF é a última instância da Justiça brasileira — o tribunal que julga, entre outras coisas, se um caso como o do Banco Master avança ou não contra autoridades com foro privilegiado. Quando parte dos próprios ministros da Corte aparece mencionada nas investigações que eles mesmos podem ter que julgar, a forma como o tribunal lida com isso internamente afeta diretamente a confiança do cidadão de que a Justiça consegue fiscalizar até os seus próprios membros com isenção.
Com informações de: Pleno.News e Metrópoles (com base em reportagem original do UOL, de 23/9).
