Uma reportagem da coluna de Andreza Matais, publicada pelo portal Metrópoles, aponta que a lobista Roberta Luchsinger — que, segundo a reportagem, é sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente — deu presentes de alto valor a Swedenberger Barbosa, assessor direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ex-número dois do Ministério da Saúde. As informações vêm de mensagens atribuídas a Luchsinger, obtidas no âmbito de investigações da Polícia Federal.

O que a reportagem mostra

Segundo o Metrópoles, em 29 de abril de 2024 Luchsinger comprou um relógio Cartier Tank de ouro, avaliado em R$ 66 mil, e o descreveu em conversas como um "mimo" para Barbosa, conhecido como Berger. Em dezembro do mesmo ano, ela teria dado a ele um quadro do pintor Antonio Veronese, comprado por 13 mil euros — cerca de R$ 82,9 mil na cotação da época. As mensagens também indicam que a lobista pagou uma festa de aniversário para o assessor, em 9 de novembro de 2024, em um camarote do estádio Mané Garrincha durante um show, além de ingressos para outros espetáculos e um anel para a esposa dele. Somados, os itens citados na reportagem passam de R$ 148 mil.

O camarote usado na festa pertenceria à empresa 3Structure, do empresário Cleber Ribas — cliente para quem, segundo a reportagem, Luchsinger fazia lobby em Brasília. As mensagens também mostram, de acordo com o Metrópoles, uma relação de amizade entre a lobista e Cláudia Troiano, secretária pessoal do presidente Lula, para quem Luchsinger teria providenciado ingressos de shows, roupas e uma joia.

Os lados

Procurado, o Palácio do Planalto negou as informações. Em nota assinada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), Swedenberger Barbosa e Cláudia Troiano afirmam que "negam categoricamente que tenham recebido os presentes citados ou qualquer outro tipo de vantagem indevida" de Roberta Luchsinger.

Até a publicação deste texto, a reportagem não trazia manifestação direta da própria Roberta Luchsinger sobre o conteúdo das mensagens atribuídas a ela.

O contexto

As mensagens levantam questionamentos porque, segundo o Metrópoles, Barbosa e Luchsinger teriam atuado em conjunto para tratar da liberação de recursos do Ministério da Saúde — período em que ele ocupava o cargo de secretário-executivo da pasta, o chamado "número dois" do ministério. A reportagem não afirma, e este texto tampouco afirma, que os presentes tenham sido dados em troca de algum benefício; trata-se, até aqui, de conteúdo de mensagens e da relação de proximidade entre lobista e assessor, sem uma investigação formal ou denúncia por crime associada a este episódio específico até o momento.

E agora?

Não há, até agora, informação de que Barbosa deixará o cargo de assessor presidencial em razão do episódio — segundo o próprio Metrópoles, ele foi aconselhado por aliados a considerar pedir demissão, mas ainda não havia decisão anunciada. Também não há indicação pública de abertura de apuração formal, seja pela Controladoria-Geral da União, seja pelo Ministério Público, especificamente sobre os presentes relatados nesta reportagem.

Por que isso importa pra você

Presentes de lobistas a servidores públicos que lidam com a liberação de verbas — no caso, recursos do Ministério da Saúde, usados em hospitais, medicamentos e programas que chegam à ponta do SUS — tocam diretamente em um tema sensível: a relação entre quem decide sobre dinheiro público e quem tem interesse comercial nessas decisões. Mesmo sem uma acusação formal de irregularidade, o episódio ilustra por que regras de transparência e de declaração de presentes a agentes públicos existem, e por que valem a pena ser acompanhadas de perto pelo cidadão.

Com informações de: Metrópoles e Poder360.